O que são as science-based targets ou metas baseadas em ciência?

Os SBT são metas corporativas para a sustentabilidade, são baseadas no que há de mais recente em termos de ciências climáticas, e, portanto, mais especificamente ligadas à redução de emissões de gases do efeito estufa (GEE). Estas metas estão alinhadas com a trajetória externa das companhias, diferenciando-as das metas ambientais tradicionais, usualmente norteadas pelo modelo de negócio praticado.

E são estas condições que as tornam robustas e positivamente impactantes entre stakeholders e ao mesmo tempo desafiadoras.

No entanto, antes de partirmos para os detalhes, vamos entender o contexto de sua criação e porque as iniciativas de SBT atualmente são consideradas o caminho mais promissor para equilibrarmos os efeitos das mudanças climáticas no planeta.

O Planeta de fato está esquentando?

Esta é uma questão que muitas vezes carrega polêmica nas rodas de conversa, mesmo naquelas compostas por entendidos do tema. E isso se deve por diversas questões que muitas vezes escapam do cunho técnico, como pressões econômicas de setores emissores de GEE e disseminação de notícias sem veracidade, mas também por um certo negativismo de evidências científicas e históricas, que não podem ser mais ignoradas.

Segundo a NASA, a temperatura do globo aumentou 0,9ºC desde meados do século 19 devido às atividades antropogênicas A maior parte deste aquecimento se concentra nos últimos 35 anos, com cinco anos de temperaturas recordes desde 2010. A temperatura dos oceanos subiu na taxa de 0,11ºC por década nos últimos 50 anos e o seu nível aumentou em 19 cm desde 1901, ao passo que a quantidade de neve e de gelo nas calotas polares diminuiu continuamente desde 1979 (IPCC, 2014). Além disso, a absorção de CO2 pelos oceanos aumentou a sua acidez em 26% afetando a vida marinha, como por exemplo, os bancos de corais.

Acompanhe abaixo os efeitos das mudanças climáticas ao longo dos anos nos infográficos da NASA::(https://climate.nasa.gov/interactives/climate-time-machine)


Diante deste conjunto de evidências, a grande maioria dos especialistas é bastante clara quanto ao seu posicionamento:

“Mais de 9 entre 10 cientistas climáticos concordam: Nossas emissões de carbono são a principal causa do aquecimento global” (National Geographic, 2019)

“Observações em todo o mundo deixam claro que as mudanças climáticas estão ocorrendo, e pesquisas científicas rigorosas demonstram que os GEE emitidos pelas atividades humanas são o principal fator” (Statement on climate change from 18 scientific associations, 2009)

Um estudo de 2013 revisou 4.014 artigos científicos sobre aquecimento global e concluiu que 98% dos autores concordam que o aquecimento global é causado pela ação humana (Cook et al., 2013)

Entenda de que forma as emissões de GEE causam o efeito estufa aqui!

E o que estamos fazendo?

Em âmbito internacional, acordos de combate às mudanças climáticas, como o Protocolo de Kyoto e mais recentemente o Acordo de Paris, que se desdobram em políticas públicas e programas ambientais mais específicos. Este acordo foi estabelecido por 196 países em 2015 durante a COP21 e, pela primeira vez, agrupou todas as nações para empreender esforços de combate às mudanças climáticas e se adaptar a seus efeitos (com apoio aos países em desenvolvimento). O objetivo central do acordo é limitar em até 2ºC o aquecimento global em relação aos níveis pré-industriais, com esforços para que este valor não ultrapasse 1,5ºC, e evitar as consequências catastróficas reportadas pelo IPCC em seus relatórios mais recentes.

Situação atual do Acordo de Paris
Países separados por sua participação no acordo (em 5 nov de 2019)

A Contribuição Nacional Determinada (NDC) é o “coração” do acordo de Paris e incorpora os esforços de cada país em termos de redução de emissões e adaptações às mudanças climáticas. Isso significa que o as partes envolvidas (países) devem comunicar a cada 5 anos as suas ações climáticas em termos de alcance à meta de redução de acordo com suas capacidades e circunstâncias domésticas. A próxima submissão será em 2020.

Acesse aqui as ações pré-2020 determinadas pelo Brazil.

O estabelecimento da NDC tem efeito direto nos setores industriais, que deverão se estruturar para atingir às metas propostas. Atualmente 684 companhias ao redor do planeta estão desenvolvendo ações climáticas baseadas no SBT e 294 companhias aprovaram SBT. O Brasil conta atualmente com 5 organizações comprometidas com estas metas de redução: Klabin S.A., Uxua Casa Hotel & Spa, Nogueira Elias, Laskowski & Matias Advogados, Grupo Malwee e Natura Cosméticos S.A. Veja mais aqui!

Novas prioridades, novo modelo de negócio

Mais do que nunca o setor empresarial se torna um player fundamental no cenário de garantir nosso futuro e para evitar os possíveis riscos das ações climáticas na humanidade. Paul Polman, um dos mais importantes CEOs dos últimos anos tem antecipado isso. Recentemente, em entrevista (que publicamos em nossas redes sociais) Paul comentou sobre a iniciativa para engajar e demonstrar o papel dos CEOs na tomada de ações neste âmbito, influenciado pelas novas vertentes das organizações, menos embasada em lucro e mais para criação de valor para seus stakeholders.

“Até 2030 as companhias não devem mais estabelecer metas de sustentabilidade... mas metas para serem sustentáveis” (Charlotte Bande, Climate Strategy Lead da Quantis)

Science-based Targets (SBTs)

ão metas com raízes na ciência e ambientadas no contexto real da sustentabilidade, de forma aproximar a estratégia de sustentabilidade corporativa ao fundamento científico.

Science-based targets é ligado ao que é necessário... muito mais do que ao que é alcançável.

Muitas empresas que estabelecem metas baseadas na ciência estão fazendo isso através do SBTi (Science-based target initiative). A iniciativa oferece orientação às empresas que desejam comprometer-se com metas científicas, além de ferramentas e assistência técnica. A SBTi foi formada pelo Pacto Global, CDP (Carbon Disclosure Project), WWF (World Wide Fund for Nature) e o WRI (World Resources Institute) para promover que metas voltadas para redução de emissões seja baseada em ciência.

Segundo a coordenadora da CT Clima do CEBDS, Laura Albuquerque, “ao alinhar suas metas com os preceitos científicos, as empresas assumem a liderança na transição para a economia de baixo carbono e sinalizam seu compromisso na luta contra as mudanças climáticas”. Outros aspectos almejados pelas organizações que se comprometem com as SBT são indicados pelo CDP abaixo:

Benefícios esperados pelas empresas que definem metas baseadas na ciência (SBT)

Mais especificamente, as empresas que estabelecem SBT podem se beneficiar enormemente destas ações, incluindo aumentar a inovação e a competitividade, ao mesmo tempo em que reduzem os custos e posicionam-se como líderes. A reputação melhorada também é um grande benefício, ajudando as empresas a atrair talentos, clientes fiéis, fornecedores e investidores de maior qualidade.

Principais benefícios notados pelas empresas que definem metas baseadas na ciência (SBT)

O site http://sciencebasedtargets.org/ traz diferentes métodos de cálculos para definir metas de redução baseados em dados científicos. No próximo post faremos a conexão entre a SBT e quais ações podem ser tomadas em sua cadeia de valor para auxiliar no alcance à tais metas.

Referencias